O caderno de memórias

Com o tempo, aqueles que me leem perceberão que estou, aqui, fazendo uma viagem pela memória – passado, presente e futuro feito presente, ou passado. Estou aqui para responder perguntas; ou mantê-las, se assim é natural: desdobrá-las em várias, quiçá! E, para que isto ocorra, prefiro o sonho, que é meu ambiente natural por excelência – nem tanto por ser “sonhador”, e sim por ter sonhos e pesadelos incríveis, também por preferir a imaginação em detrimento daquilo que chamamos comumente de realidade. Contudo, se assim preferem, podem defender a ideia de que meu novo blog é uma doideira sem sentido. Eu aceito, humildemente. Já eliminei o parágrafo, e as frases, agora, são muito mais um fluxo de (in)consciência do que qualquer outra coisa. Mas a questão é a seguinte: eu quero saber se o que a minha memória produz como imagem pode ter respaldo na imaginação dos outros, se me leem. Quero saber, também, se o que a minha memória produz como discurso é mutável no tempo, e em que sentido. Quero compreender a ação do tempo no mundo, e em mim. De todo, preciso saber, inclusive, se as luzes que a minha memória clicou como fotografia são realmente passíveis de transposição ao texto. Por mais que isso tudo pareça absolutamente inútil, creio que a imaginação é o terreno do possível, enquanto a realidade o do impossível, logo, só posso querer viver uma vida dentro da imaginação; e estas questões que coloquei são, nessas condições, de vida ou morte. Não se trata, portanto, de um caderno de memórias de um escritor ancião – ora, eu nem comecei a pagar a previdência social! -, trata-se, apenas, de um ensaio sobre o meu entendimento de determinados assuntos hoje, para que um dia eu possa compreender melhor aquilo tudo de ontem. Podem chamar de análise, se é isto que procuram. Eu prefiro a palavra investigação. Eu não domino assuntos, não domino livros, não domino teses ou poemas : eu d(en)omino… Ou seja:  nomear os meus sentimentos mais profundos e inexplicáveis talvez seja uma maneira de viver um pouco mais – melhor? Fazendo isso, quem sabe eu não produza frases que, quando aqueles que me leem as ler, não possam também sentir o frio na espinha e a sensação do abismo que eu sinto ao pensar em certas coisas.

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Um comentário sobre “O caderno de memórias

  1. OiOi GuiGui
    Hehehe.. Incrivel o que voce escreveu!

    Acho que um bom escritor é aquele que faz exatamente isso, passa pro papel (ou tela) o friozinho que sente quando pensa em alguma coisa para que outras pessoas possam sentir tambem. Acho que nao só escrevendo, mas tambem cozinhando, desenhando, cantando.. e só algumas pessoas se identificam e conseguem sentir o que queria passar quem criou. Talvez isso que aproxime as pessoas, e façam elas se gostarem sem nem se conhecerem.
    A busca por aquilo que parece te entender, é algo que pode mudar a vida de tantas pessoas..
    Eu acho uma coisa incrivel, mais incrivel ainda quem consegue criar, voce é um desses!!

    Beijo

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