O que aprendi com o cinema, parte I

Ainda lembro com exatidão da primeira vez que assisti ao filme A Lista de Schindler. Assisti dublado, quando passou no SBT como uma grande estreia na televisão. Sei que foi ainda nos anos 1990, porque assisti na antiga casa da minha avó. Não somos judeus, mas acho que a relação da minha avó com o Holocausto vem do fato dela ter completado um ano de idade no mesmo dia em que a Anne Frank foi descoberta no seu esconderijo e enviada para o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, em 4 de agosto de 1944. Minha mãe nasceu no mesmo dia em que a minha avó, vinte anos depois da prisão de Anne, em 4 de agosto de 1964. E Barack Obama em 4 de agosto de 1961, mas isso não tem importância.

A menina de vermelho, único personagem com cor no filme. Responsável pela cena de que eu mais gosto na história do cinema.

Não sei ao certo se a minha avó teve contato com o Diário de Anne Frank, o livro, mas com certeza ficou muito tocada com a primeira versão para o cinema, que data de 1959, em preto e branco, porque ela já citou isso. Tanto A Lista de Schindler quanto O Diário de Anne Frank são considerados alguns dos melhores filmes de todos os tempos e ambos são em preto e branco, sendo o primeiro realizado em preto e branco brilhante, uma película especial que dá uma tonalidade luminosa ao filme. O Diário venceu três Oscar em 1960 (melhor atriz coadjuvante (Shelley Winters), melhor direção de arte – p&b (George W. Davis e Lyle R. Wheeler) e melhor fotografia – p&b (William C. Mellor)) e foi indicado a mais cinco; recebeu quatro indicações ao Globo de Ouro e uma indicação à Palma de Ouro em Cannes. Sobre A Lista, creio serem desnecessárias as credenciais de premiação; eles levaram quase tudo.

Anne Frank, a autora do diário

 

A partir da Lista, dei para ter uma queda (sem trocadilho com A Queda – As Últimas Horas de Hitler) para filmes sobre a Segunda Guerra Mundial: O Resgate do Soldado Ryan, Casablanca, O Pianista, O Julgamento de Nuremberg (ambas as versões), Os Falsários, Noite e Neblina, Bastardos Inglórios e, last but not least, A Vida é Bela. Assisti a muitos outros, não tão bons e, às vezes, com erros históricos flagrantes. Ou seja: não que o espectador vá, propriamente, se tornar um especialista em Segunda Guerra depois de assistir aos filmes que citei, mas, ao menos, abrirá seu leque de opções de leitura e vieses de interesses.

O impacto da Lista sobre mim só seria batido, em termos, com o filme argentino vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2010, O Segredo dos Seus Olhos, mas eu continuaria a citar os “clássicos da filmografia da Segunda Guerra” como os mais influentes sobre a minha visão de mundo e sobre o meu pensamento acerca dos direitos humanos. São filmes essenciais, os que citei, que colaboram para um engrandecimento imediato (e até um choque visual) do intelecto e da visão sobre a História.

No próximo post, pegarei a deixa do filme argentino para desenvolver as minhas ideias sobre o cinema dos nossos hermanos e o que eu aprendi com eles. Mas nada impede que eu mude de ideia e fale sobre o Cisne Negro, que eu assisti anteontem e estou completamente apaixonado, colocando-o em minha lista dos Top 20, talvez Top 15, das obras primas do cinema. Obviamente, estou torcendo para ele no Oscar.

Para fazer o download dos filmes que citei acima e dos que ainda irei citar nesta série, basta ir no lado direito superior da tela e clicar nos links de Cinema. Até mais!

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