Oscar 2011: um balanço

Devo dizer: infelizmente, terminei a sessão do Oscar 2011 com mais perguntas do que respostas. Das 16 apostas que fiz no post anterior, acertei 10 (podia ter acertado 11 de 17 se eu não tivesse esquecido o prêmio de montagem), e ainda perdi o bolão do Oscar para a minha namorada, que no critério de desempate me passou, por ter apostado em O Discurso do Rei para melhor filme. (Minha vingança foi elogiar a Anne Hathaway…)

O pretensioso e sem graça James Franco e a competente Anne Hathaway

Para vocês terem uma ideia, eu acertei no bolão chutes como “melhor documentário curta-metragem” e outros prêmios para filmes que nunca chegaremos a ver, mas errei alguns dos mais importantes.

Vamos aos comentários:

Das coisas que mais me indignaram (e a todos), o prêmio de melhor fotografia para A Origem foi  hours concours. É o tipo de coisa que ninguém poderia chutar e, para falar a verdade, foi uma grande irresponsabilidade da Academia. Como é que eles dão prêmio para uma fotografia de última geração, feita por computadores, e dão o prêmio de melhor filme para um conservador O Discurso do Rei? E o que dizer agora da disputa Guerra ao Terror X Avatar do ano passado? Lamentável escolha essa pela A Origem.

Injustiça: Tom Hooper como melhor diretor, em detrimento de David Fincher

Os meus outros erros eu não lamento. Trilha sonora original para A Rede Social é merecidíssimo, e Christian Bale como melhor ator coadjuvante é justo. Agora, melhor diretor para Tom Hooper? Calma aí. Vamos voltar no tempo. David Fincher: Seven – Os sete crimes capitais, Clube da Luta (só esse já valia o meu argumento), O Quarto do Pânico, Zodíaco, O Curioso Caso de Benjamin Button e A Rede Social. Tom Hooper: inúmeros trabalhos de qualidade duvidosa para a televisão e 3 (três) filmes: Sombras do Passado, Maldito Futebol Clube (Hã???) e O Discurso do Rei. Mas alguém poderia dizer: “O prêmio é atrelado ao filme.” Ok. Deixo a pergunta: é mais difícil dirigir um filme com atores jovens e inexperientes (Jesse Eisenberg, Justin Timberlake), com uma história sobre a invenção de um site, e tornar aquilo um filmaço, ou dirigir um filme sobre o rei George VI, com Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter e Guy Pearce? Enfim, uma injustiça sem fim que eu não perdoo.

Um Oscar que será lembrado pelas atuações brilhantes

E o que dizer sobre o prêmio de melhor filme? Olha, eu gosto demais de O Discurso do Rei. É divertido, emocionante, conta uma parte da História que eu mesmo, apesar de aficcionado por Segunda Guerra Mundial, desconhecia. Entretanto, é um filme que não é melhor nem pior do que A Queda – As Últimas Horas de Hitler, que não levou o seu Oscar de melhor filme de língua estrangeira em 2005. Indo mais longe, diria que não só a rainha da Helen Mirren é melhor do que o rei de Colin Firth (não vou nem comentar o Hitler de Bruno Ganz), mas que A Queda e A Rainha são filmes de personagens decadentes, obras de uma auto-crítica nacional e cultural sem tamanho. E o que é O Discurso do Rei, apesar de um excelente filme? Um atestado de britanicidade. A Rede Social, ao menos, era antes uma crítica à juventude da web, aos jovens de Harvard e à ambição desenfreada do que uma exaltação à genialidade criativa dos personagens.

Mas, entre prêmios justos e injustos, o Oscar sobrevive. Ainda não tive notícias sobre a audiência da festa, mas acredito que não tenha sido um fiasco, apesar da apresentação do insosso James Franco. Anne Hathaway com aqueles belos vestidos e cabelos e bocas foi realmente um primor. Natalie Portman, gravidíssima, estava espetacularmente linda. Aliás, que em breve estará solteira, se a maldição do Oscar de melhor atriz continuar. Perderam o marido logo depois de vencer o Oscar: Kate Winslet, Rese Whiterspoon, Halle Berry, Julia Roberts, Hillary Swank e Sandra Bullock. Mas isso não é cinema, é fofoca…

PS: Para cantar Smile, eu tiraria a Celine Dion e colocaria a Sandy Leah. É trocar seis por meia dúzia de maneira espirituosa.

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9 comentários sobre “Oscar 2011: um balanço

  1. Obrigado, Neuza! Aproveite para fazer a assinatura do blog e receber os posts por email.
    Nos vemos na Uerj!
    beijão!

  2. Pessoal, opinião é opinião. Acho muito legal respeitarmos as opiniões que são divergentes das nossas. Na minha opinião, achei as críticas do Guilherme bastante coerentes. Também fiquei chocada com o fato de “A origem” ganhar o prêmio de melhor fotografia ( paradoxo). O James Franco é insosso e PRETENSIOSO sim!!!(eu nunca o vi atuando bem,na verdade. Nunca me convenceu como o Harry do Homem aranha e nem achei que foi bem nesse filme “127 horas”) O filme,aliás,é um tédio só… Melhor ator/atriz para mim foram perfeitos, assim como os coadjuvantes. Gui, adorei o blog, parabéns!!!

  3. Você meio me irritar com esse “E belo rapaz é o Justin Timberkale.”
    Valeu! Hahahaha

  4. Ah, “O Discurso do Rei” (o filme é muito bom, vai…) tem também aquela grandiosidade que Hollywood A-M-A.

  5. Uau, vamos lá! Algumas verdades sobre o Oscar 2011:
    O James Franco é pretensioso. O “127 horas” não deve em nada para qualquer Jogos Mortais (uma pessoa que se acha acima do bem e do mal fica numa situação complicada e para salvar a vida precisa cortar um membro…). A Anne Hathaway teve que suar a camisa para o rapaz não passar MAIS vergonha. A Celine Dion é brega. Eu ganhei o bolão porque segui o raciocínio da Academia que tende a ser tradicionalista e pomposa, portanto, não ia dar o prêmio de melhor filme para um longa de “adolescentes rebeldes”, eu não acho isso, amei “A Rede Social”, (dinâmico, atual, crítico) mas acredito que os caras pensaram assim. Também amei o Colin Firth fazendo o papel de um gago perfeito, sem estereótipos. Isso sem falar da atuação genial da Nathalie Portman (futura mãe solteira,fato!). Realmente, melhor fotografia para “A Origem”, um filme feito 95% no computador, foi forçar demais a barra – até os reacionários dos irmãos Coen mereciam mais. E belo rapaz é o Justin Timberlake.

  6. Acho pretensiosa você, que vem aqui me criticar escrevendo pretensioso com “C”. Então vamos lá:
    1) Aprenda a escrever.
    2) Essa opinião sobre o James Franco não é apenas minha. Só abrir qualquer jornal estrangeiro ou comentários de críticos brasileiros sobre a festa de ontem.

    Abraços!

  7. Não acho o James Franco pretencioso, muito menos sem graça. Só acho que ele ainda não chegou em seu melhor momento. Você sim foi pretencioso ao dizer que esse belo rapaz é sem graça.

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