Náufragos

De Guilherme de Carvalho, da França Antártica
Para Eduardo Bemfica, na Veneza Americana

Entre o Capibaribe e a Baía de Guanabara,
qual abismo! – O céu tomba – Tromba d’água!
Por entre as ruas, entre as casas: a nado
se faz travessia doida: nada.

Cabral, Bandeira, Rosa – dão-me um acento.
(o sertão está em toda parte:
em parte água, em parte tudo)

Vejo-os todos a salvar os manuscritos.
Vejo-os vendo Camões.
(Os olhos atônitos!)
Ele, nadando, fluindo, nadando…
Camões não fala: nada.

E a peste, as putas, as páginas, os padres
na cidade a nadar. A nadar. A nada.
Que bicho vai submerso, náufrago?
Ratos de boia, ratos-bois, bubônicos-ratos.

Ôxe! Rato-homem.

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