O coração do vascaíno

O torcedor vascaíno é, com certeza, o mais apaixonado. O vascaíno parece ter nas veias o sangue dos velhos lusitanos que desbravaram o mar. O vascaíno é exagerado, desastrado, megalomaníaco; mais que os flamenguistas, até, porque para o vascaíno qualquer derrota é ultrajante, é o fim, não adianta nem culpar o juiz. Para ele não há ontem nem amanhã, não há glórias passadas nem futuras, só importa a vitória deste campeonato. O coração do vascaíno, por sua beleza extremista e desesperada, por sua pulsação angustiada e veloz, é o coração de torcedor mais propício ao infarto. Digo isso porque sou tricolor e sou de uma linhagem de tricolores que vem de Nelson Rodrigues. É invejável a voracidade dos vascaínos, a sua dor e também o talento nato para o grito, para o barulho. Por isso é fácil irritar um vascaíno, mais do que qualquer outro torcedor. Conhecem a famosa cena do estádio do Racing no filme argentino O Segredo dos seus Olhos? Podemos trocá-lo por São Januário que dá no mesmo. Sejamos sinceros: sem os vascaínos o futebol brasileiro não teria tanta graça, porque a graça do esporte bretão é que ele lida com os sentimentos mais profundos, e nisso os vascaínos são craques; em ir ao limite, em ser os gigantes.

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3 comentários sobre “O coração do vascaíno

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