Os estupros na van: tortura pornô como lazer?

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A curra era (e é) um crime comum no Brasil durante as décadas de 1950 e 1970. Aparecia constantemente nas páginas dos jornais e, mais especificamente, nas crônicas de Nelson Rodrigues. Essa modalidade criminosa consistia (e consiste) em um estupro coletivo – diz-se que a mulher foi currada – e seu caso mais notório foi o estupro e assassinato da jovem estudante Aída Curi, ocorrido em Copacabana no ano de 1958. Aída foi levada à força por Ronaldo Castro e Cássio Murilo ao topo do Edifício Rio Nobre, na Avenida Atlântica, onde os dois rapazes foram ajudados pelo porteiro Antônio Sousa a abusar sexualmente da jovem. Ela foi submetida, de acordo com a perícia, a pelo menos trinta minutos de tortura e luta intensa contra os três agressores, até vir a desmaiar – ainda virgem. Para encobrir o crime, atiraram a jovem do terraço no décimo segundo andar do prédio tentando simular um suicídio. Aída faleceu em função da queda. Os agressores maiores de idade quase foram absolvidos, numa trama sórdida que combinava poder econômico e culpabilização pública da vítima.

A juventude dos anos 1950 conviveu com filmes norte-americanos que abordavam atitudes fora da lei, como O Selvagem, com Marlon Brando, Juventude Transviada, com James Dean e Sementes de Violência, com Glenn Ford. Àquela época, era comum os jovens formarem gangues, se vestirem com jaquetas de couro, camisas vermelhas, blue jeans e fazerem a “escandalosa dança do rock” mascando chicletes. O título original de Juventude Transviada, Rebels Without a Cause, foi retirado do título de um artigo do psiquiatra Robert M. Lindner, publicado em 1944 e chamado Rebel Without a Cause: the Hypoanalaysis of a Criminal Psychopath. O artigo era uma análise freudiana do adolescente perturbado e, em 1954, Lindner afirmou à revista Time que a juventude americana estava cometendo “um rosário diabólico de crimes que variam do estupro ao assassinato, e tudo carimbado com um grau inacreditável de sadismo”. Mais tarde, no final dos anos 1970, Os Embalos de Sábado à Noite, inspirado em Juventude Transviada, iria conter uma cena de estupro dentro de um carro com a conivência dos amigos do agressor. Havia, na cena, uma profecia.

As três próximas histórias de violência sexual começam no mesmo local onde termina a primeira: Avenida Atlântica, Copacabana, um dos lugares mais caros do mundo para se morar. Durante o carnaval, uma carioca pega uma van na Lapa com amigos para ir à Copacabana. Pouco mais de um mês depois, uma carioca pega uma van na Lapa para ir à Copacabana. Alguns dias depois, uma americana pega uma van em Copacabana para ir à Lapa. Nenhuma delas chegaria em seus destinos sem ser estuprada pelos mesmos homens, na mesma van. O caso da americana, que contém mais detalhes conhecidos, consistiu num roteiro de horror em que o namorado foi espancado enquanto assistia sessões de estupro, tortura e roubo durante seis horas em que permaneceram dentro da van ou no apartamento em que estavam hospedados no Rio. Durante o enorme intervalo no qual permaneceram reféns, os agressores compraram e consumiram bebidas alcoólicas como se estivessem num festim diabólico. Depois os soltaram, assim como fizeram com as vítimas anteriores. Uma vez presos, confessam o crime.

O caso de estupro ocorrido na Índia em dezembro de 2012 e que indignou o mundo guarda profundas semelhanças com os recentes casos brasileiros. Uma estudante indiana de fisioterapia de 23 anos foi estuprada por seis homens em um ônibus de Nova Déli e morreu duas semanas depois. Ram Singh, o motorista, pegara o ônibus para “fazer uma farra” depois de beber. Quatro fingiam que eram passageiros e um deles se fazia de cobrador. Após cerca de quarenta minutos, os estupradores atiraram a estudante e o amigo, nus, do ônibus em movimento.

Tais circunstâncias não são novas. Estavam contidas em Laranja Mecânica (passando por Funny Games), que, inequivocamente, anunciava um futuro em que a tortura seria uma forma de lazer. Por que os agressores de Aída Curi cometem um assassinato e os da americana fazem seu namorado assistir para depois soltá-los na estrada? Por que os estupradores da americana percorrem 60 km durante seis horas numa van, compram bebidas no meio do caminho e fazem uma festa sádica pouco discreta? Por que os estupradores indianos pegaram um ônibus para “fazer uma farra”?

O cinema, assim como os jogos eletrônicos cujos temas giram em torno da violência, não é causa de ação alguma. No entanto é inegável a relação entre novas representações artísticas com o espírito de nosso tempo – e então as pensamos como sintoma. Quando a normalização do horror sádico é a motivação de um blockbuster como Jogos Mortais ou O Albergue é porque, em algum nível, há um processo em curso. Ainda que estupros coletivos na Índia ou no Brasil sejam razões para a indignação internacional, o asco que causam já contém, hoje, a própria medicação imediata – ou seja, a tortura e o estupro parecem conter em seus eventos suas próprias denegações. Nós nos indignamos com a certeza de que logo esqueceremos para podermos seguir a vida na falsa tranquilidade de que tais ocorrências necessitam ser isoladas (e acabam sendo). O lamento é apenas um brilho de solidariedade humana no seio do que sabemos ser um colapso (creio que irremediável) de nossa capacidade de espanto diante da barbárie. Não é à toa que uma das primeiras falas do primeiro filme da trilogia de O Albergue, proferida por um dos personagens na Amsterdã libertina que sonham conhecer, é um banal “a casa de Anne Frank não é perto daqui?” entre piadas e risos. Não é à toa que o filósofo esloveno Slavoj Zizek acusou a diretora oscarizada Katheryn Bigelow de fazer o filme A Hora Mais Escura em prol da normalização da tortura. Não é à toa que a delegada titular de Niterói precisou ser exonerada porque fez pouco caso com o estupro anterior cometido pelos agressores da americana.

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Os enredos de O Albergue, A Serbian Film e  Jogos Mortais não são mais o de uma família carniceira de beira de estrada, um fantasma que sai de uma televisão, um demônio que se apossa de uma menina ou um boneco que adquire a alma de um psicopata. A diferença do passado para agora reside no fato de que os enredos de tais filmes recentes são insuportavelmente verossímeis. Sobretudo a premissa de O Albergue: pessoas bem sucedidas e acima de quaisquer suspeitas integram um clube de tortura. É provável que uma uma falsa legenda de “baseado em fatos reais” atrapalhasse o resultado – absolutamente aterrorizante -, pois a mensagem da obra, ao fim e ao cabo, é a de que o torturador mora ao lado; ele pode ser qualquer um ou, mais ainda, pode haver um torturador em potencial dentro de cada um de nós. E aqui o filme faz algo louvável: a tortura não é mais ideológica, no sentido de uma ação política (ilegítima, em todo caso) de repressão, mas apenas um exercício sádico sem fins aparentes (lembrando Laranja Mecânica). A tortura pela tortura (normalizada) – ou uma tortura pornô. Não há como evitar um paralelo entre o contrato de sigilo firmado em sangue entre os sócios do “clube de caça” de O Albergue com a prisão do soldado americano Bradley Manning por ter divulgado, para o Wikileaks, um vídeo de um helicóptero atacando civis em Bagdá. Manning traiu o clube de morte do exército e por isso deve ficar preso em solitária, no mínimo.

Jogos Mortais, por sua vez, atinge, com efeito, um outro degrau no gênero horror: a redenção se dá em vida e mediante tortura. À medida que os volumes da série avançam, no entanto, vemos que se trata de torturas seguidas de homicídios previamente calculados e não de redenção pelas sevícias. Há, ao longo da série, a formação de um exército de torturadores ideologicamente justificados segundo preceitos herdados do psicopata profeta. Tais preceitos, embora desvirtuados ao longo do tempo, são a semente de um receituário que prega, religiosamente (que enfatizemos isso!), a negação dos impulsos, desejos e outras condições humanas supostamente imorais por meio da tortura e do enfrentamento da possibilidade de morte. É necessário ser torturado para ser salvo, sem esquecer, evidentemente, que trata-se de um “jogo” que guarda consigo algo de recreativo (“I want to play a game!”). Chamar o gênero de tortura pornô (ou splatter), portanto, é menos enquadrá-lo numa classificação estética do que atentar para sua recorrente denúncia da barbárie recreativa ou supostamente edificante (a tortura prazerosa ou utilitária).

A Serbian Film, para o qual muitos torceram o nariz sem dispensar o esforço necessário para compreendê-lo, não é nada mais do que um filme sobre a atual indefinição dos limites entre a tortura pornográfica, a pornografia brutal e a vida real – a banalização dos efeitos do espanto diante da violência ou de sua representação. Milos, o protagonista, não sabe se está participando da gravação de um filme com roteiro e propósito ou se é apenas um elemento numa trama de pornografia doentia e crimes hediondos que estão sendo gravados para que se possa registrá-los num nível de realismo jamais visto. Seria preciso um outro ensaio para dedicarmos a atenção necessária a cada cena do filme, mas garanto que se trata de uma obra-prima das mais relevantes da década. Mas, bom avisar, é necessário muito, mas muito estômago para chegar até o fim.

Porém é a terceira parte da trilogia O Albergue que traz as reflexões que podemos considerar como brilhantes, apesar das atuações claudicantes e uma direção pueril. Não estamos mais na oriental Eslováquia, como nos primeiros filmes da franquia, nem no Brasil sanguinário de Turistas, mas em Las Vegas, a capital americana do lazer e da diversão. O “clube de caça” não é mais gerido por bárbaros do centro da Europa, como os dois primeiros filmes parecem precisar sublinhar, mas por americanos que buscam fortuna explorando o sadismo hedonista dos ricaços. Aqui não temos mais sócios que pagam para torturar, mas (e aí está o brilhantismo) sócios que pagam para assistir à sessões de tortura. (Qualquer semelhança com Henning Albert Boilesen, o empresário dinamarquês radicado no Brasil, não é mera coincidência.) Não apenas para assistir, mas para beber uísque atrás de uma parede de vidro e fazer apostas relacionadas a métodos, respostas e resultados das sessões, transformando a tortura naquilo que, a esta altura do texto, já se tornou óbvio: um lazer pornô. No final da apresentação, aplausos.

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Quem conhece minimamente a história do cinema adulto sabe que, nos últimos quarenta anos, houve um crescimento vertiginoso dos níveis de brutalidade e explicitação na estética dos filmes e na criação de novos subgêneros especializados em sexo extremo. Mesmo um clássico fundador endiabradamente ousado como Garganta Profunda, dos anos  1970, nos parece, hoje, um exemplo de soft porn. Para usarmos um exemplo útil numa comparação, basta pensarmos nas atuações de Sasha Grey, a jovem atriz considerada herdeira direta de Linda Lovelace. Como afirmou o escritor Daniel Galera em recente crônica para o jornal O Globo, “Sasha Grey, pelo que se pode apreender de suas entrevistas e performances, vê a pornografia como um ato político e atua de tal forma que a degradação parece ser incapaz de degradá-la. O que vemos em seus vídeos é uma espécie de entrega consciente, verborrágica e autoritária, por meio da qual ela se apodera da degradação, que é o inverso de querer eliminá-la.” Pergunto: estamos ou não num outro patamar da relação que temos com a tortura e a pornografia? Em que medida o cinema adulto nos mostra onde estamos psicologicamente acerca de tais assuntos? Quando foi que a degradação tornou-se a a própria narrativa, como podemos perceber nos filmes que exploram indevidamente o Holocausto (Nazi sploitation)? Será que o homicídio ainda mantém seu status de crime enquanto o estupro ganha status de uma reles narrativa de aventura, uma ação banal que nem precisa ser despistada ou disfarçada, apenas necessita de corpos descartáveis supostamente sedentos de trauma? Estamos na era do terrorismo frívolo?

Recentemente, correu na internet um vídeo em que um aluno de uma escola brasileira agride a professora de inglês por uma discordância acerca do resultado de uma avaliação. Pouca gente parece notar, de acordo com os comentários no site Youtube, que a agressão foi previamente orquestrada para ser gravada e exibida na rede. O jovem agressor necessitava de um gadget, de um espectador-cinegrafista e de uma vítima (precisamos atentar para a necessidade de uma vítima aleatória e de espectadores reais e potenciais) para demonstrar sua força, coragem e virilidade.  Num mundo inundado pelos reality shows, que nada mais são do que a banalidade cotidiana transformada em narrativa, todos querem participar com aquilo que têm de melhor – e de pior. É a geração Kevin, aquele sobre o qual precisamos falar.

O antropólogo francês David Le Breton publicou, em 2006, um artigo importantíssimo no jornal Libération, traduzido à época para a Folha de São Paulo. O artigo é tão incisivo que qualquer outro trabalho sobre o tema se torna raso. Nele, Breton discorre sobre o happy slapping, pegadinha amadora que se espalhou pela Europa na qual uma pessoa sozinha é atacada por um grupo que filma a ação para depois postá-la na internet como prova de coragem. Separei alguns trechos  do artigo que valem uma falsa pausa. São eles:

“Se o outro deixou de ter valor, a vergonha não tem mais lugar, pois o pudor foi desqualificado. Parecer deixou de ter para o adolescente o sentido de comparecer, pois o olhar do outro é sem incidência, sob esse aspecto. Importa unicamente o fato de sentir prazer.”

“É o mundo do “tudo pode”, pois o lugar do outro não é integrado nesses comportamentos. A ausência de vergonha traduz o eu grandioso de certos adolescentes; em seu desejo de auto-engendramento, querem não apenas ignorar as regras e os valores do vínculo social como, de quebra, provocar aqueles que os olham.” 

“Esses comportamentos são essencialmente masculinos, intensificando-se a partir dos velhos valores da virilidade, nos quais trata-se de ser o melhor, multiplicando as provas: quem urina ou cospe mais longe, quem “traça” mais garotas, quem tem “o” maior, quem “tem coragem” de agredir um transeunte ou um conhecido, quem lançou mais insultos aos policiais, quem incendiou um veículo etc.”

“Desligados do sentimento de pertencer a um conjunto, os outros, a seus olhos, não passam de figurantes. Em sintonia com o cinismo e o desprezo que penetram nossas sociedades, eles não podem colocar-se no lugar do outro; nenhum “outrem generalizado” foi integrado neles. Seu eu é destituído de outrem ao qual seria possível prestar contas.”

Voltando. Não é aleatório que os estupradores da van tenham percorrido 60 km com as vítimas. O significado provável de tal ação é o de que não somos outra coisa senão meros espectadores da barbárie; que, por trás dos vidros de uma van, pode estar ocorrendo um ato de violência; que a violência pode ser vista durante seis horas sem ser vista; que, no fim, estamos anestesiados diante dos traumas sucessivos. Os agressores de alguma forma sabiam que precisavam ser vistos e que nós precisávamos ver, cumprindo o óbvio ululante que hoje nos cabe. Não estamos mais no tempo em que os jovens queriam uma guitarra. Hoje, querem uma câmera – para o bem ou para o mal.

Soma-se a todo este contexto a presença constante de uma cultura do estupro, retroalimentada pela cultura de massas e responsável pela disseminação de valores profundamente comprometidos com o incentivo à prática da violação sexual e culpabilização da vítima. A relativização absoluta do “foi só uma piada”, “foi só uma cena”, “foi só um comercial”, “há uma censura do politicamente correto” etc. apenas corroboram a ideia de que, sim, a tortura e o estupro estão sendo postos no altar de um salão de festas (ou cassino). Embora não tenha embasamento teórico para diagnosticar precisamente as causas ou oferecer as medicações devidas, posso garantir que, se é de um altar que estamos tratando, o deus aqui é o deus da carnificina.

Em tempo: A escalada dos estupros no Rio de Janeiro preocupa. De acordo com o Instituto de Segurança Pública, em 2012 foram contabilizados 6.029 casos, 23,7% a mais do que em 2011 (4.871).

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7 comentários sobre “Os estupros na van: tortura pornô como lazer?


  1. Prezado senhor Mauricio,
    Agradeço imensamente sua intervenção em meu blog. Creio que o triste ocorrido em sua família é uma infâmia não para sua irmã, mas para o Brasil,
    cuja História é profundamente marcada pelo machismo advindo da sociedade colonial patriarcal e escravocrata.
    Tenho total consciência de que, à época, a integridade de sua irmã, Aída, foi posta à prova nos meios de comunicação e nas rodas sociais.
    Em certo momento do texto, afirmo que o caso consistia numa “trama sórdida que combinava poder econômico e culpabilização pública da vítima.”
    Aída era inocente, é claro. Não há dúvida quanto a isso. Quem põe em xeque a inocência dela está sendo leviano – poderíamos mesmo dizer criminoso.
    De acordo com a tipificação penal em voga no Brasil hodierno, Aída infelizmente foi estuprada, embora tenha morrido virgem, como o senhor fez questão de anotar. Interpretando o passado com os olhos do presente, Aída sofreu violência sexual.
    Mas isto não abona meus verdadeiros erros.
    Como na época de escritura do artigo meu foco não era o Caso Aída, fiz uma pesquisa rápida, um pouco irresponsável mesmo. Não notei que houve mais do que um julgamento e que, posteriormente, os acusados seriam culpabilizados, embora num dos julgamentos tivessem sido os maiores de idade inocentados. Peço desculpas e corrigirei prontamente.
    Mas ainda não consigo compreender a existência de “confissões claras”. Vejo uma diferença em dizer “eu fiz” de dizer “ele fez”. Posso estar equivocado, por isso corrigirei mesmo assim.
    Obrigado pelas anotações!
    Um grande abraço fraterno!
    Guilherme!

  2. Meu prezado Guilherme de Carvalho,
    Sendo eu irmão da jovem Aída Curi, de quem você fala logo no início de sua pesquisa, quero deixar aqui alguns detalhes de fatos que não foram descritos exatamente como sucederam : na tal “curra” de que foi vítima minha desditosa irmã, os assassinos não chegaram ao estupro, nem sequer a abusar dela de modo algum, pois ela lutou com eles desde o início do assédio até ao desmaio, quando a jogaram do alto , ação para similar um suicídio. Devota da santa menina italiana, Maria Goretti, mártir da virgindade, morreu virgem, segundo a perícia. Quanto aos rapazes, não foram absolvidos, mas cada qual foi julgado e teve a sua pena decretada pelo Tribunal; também não é exato dizer que não confessaram o crime, pois quem manuseia o Processo, ou mesmo os jornais da época, verá que, se cada um pretende fugir da responsabilidade direta e pessoal dos crimes, existem , além de confissões claras do envolvimento de cada um , inúmeras acusações mútuas, as quais culpabilizam os quatro envolvidos neste crime. Para melhor entender o crime e o processo , deixo aqui o meu website onde está um longo capítulo em português intitulado “Caso Aída Curi” ,cujo autor sou eu mesmo. Sugiro também o site “Santos do Brasil” onde os dados são exatos , pois os autores tiveram acesso às informações corretas. Encontro-me em missão religiosa há mais de 30 anos no Oriente Médio, tendo sido pároco anteriormente na Síria e, no momento, no Egito. Agradeço a atenção do amigo bem como a necessária retificação dos dados por mim referidos.
    Website : egliseimmaculee.com
    Email : egliseimmaculee@yahoo.com
    Monsenhor Maurício Curi, Vigário Patriarcal para os melquitas católicos no Cairo e Pároco da Igreja Imaculada Conceição de Heliópolis, Cairo.

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  6. Guilherme, concordo plenamente com o fato de que as representações midiáticas de todo tipo de imoralidade não “motivam” diretamente imoralidades, mas que são sintomas de nossa capacidade de “suportar” determinadas coisas.

    Até onde consigo imaginar, a curra sempre existiu na história humana, e também sempre foi um tabu. Penso que não é porque determinado tipo de violência aumente que nossa tolerância em relação a ela diminua. No nosso país, que se gaba tanto do seu libertino Carnaval, as questões relacionadas à sexualidade quase sempre são tratadas com mal estar e moralismo. O que pode ser criticado quanto a isso é a eficiência do sistema legal em defender aquelas que são o elo mais fraco dessa corrente.

    Agora um outro fenômeno, de natureza diversa, é esse que você apontou, sobre a espetacularização do real. Creio que é um fenômeno que está na confluência entre o estético, o social e o político. A curra representada no filme “Ensaio sobre a Cegueira” é profundamente perturbadora, mas qualquer outra representada por um filme pornô já não é assim. Se você desdramatiza a ação que está sendo representada, então pode oferecer para o seu público as cenas mais terrríveis possiveis, que ele vai conseguir suportar. Creio que alguns filmes como “Jogos Mortais” e derivados sabem brincar muito bem com isso.

    A verdade é que nós sabemos, sem admitirmos, que a mídia também é uma forma de representação da realidade. O caso da estrangeira estuprada gerou muita comoção pública porque foi “representado” devidamente de maneira dramática. Agora os outros tantos casos que acontecem por aí diariamente já não têm esse cuidado “estético”. Como nós ficamos diante disso?

    Nesse mundo em que, apenas com um toque na tecla, podemos passar da pornografia até a barbárie noticiada, é preciso muito discernimento, muito ceticismo, para separar o que é legitimamente real do que é uma forma de representação.

    A realidade noticiada não deveria nos oferecer “catarses”. E no entanto, é dessa maneira que ela nos é apresentada, como se a nossa única reação diante dela fosse nos purgar dos nossos instintos sombrios e medonhos.

    O problema não é que a gente se divirta com “Jogos Mortais”. Penso que o problema é que a gente não saiba mais reconhecer uma tortura, quando a virmos diante de nós.

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