Ballet (soneto)

04_La Bayadere, Act II SEMIONOVA, HALLBERG

O amor bate na porta
o amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Carlos Drummond de Andrade

Sob uma luz católica e solene
jaz minha infância triste e labiríntica,
em clausura de fé, dura e perene,
em pré explosão de cacos, caixa mítica. 

Depois acalma, guarda, surge e volta.
A bailarina já te alçava voos
(você não viu o amor bater na aorta)
nos anos de espasmos, fome e enjoos. 

Aceite o jeté, risco em ar de passo,
o rodopiar sem quedar-se tonta,
delicado plié feito embaraço.

Estamos em suspenso, nada contra.
Pairando enamorados, som no espaço:
equilibrando amor em gesso de ponta. 

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