Domingo (poema)

Cafe-Foto-Ilustrativa-Divulgacao

Pois de tudo fica um pouco.
Carlos Drummond de Andrade, Resíduos

Ainda há os que ligam o rádio
domingo de manhã
usam cafeteira italiana
e passeiam nus pela sala-quarto
inocentes.

Nublado
o bairro de Botafogo respira
fresco.
Vizinhos discutem
ao telefone
misérias das quais sabemos
pouco
muito pouco.

O café na bandeja
as frutas
os poemas
na bandeja
estão frios
de geladeira.

Não se conhecem
dormiram juntos
em concha
contaram segredos
riram amaram-se.

O banho ressurge
o marasmo
do mundo exterior.

Ele esquece o relógio
na bancada
em promessa.

E o medo
bicho incontornável
faz comichão
nas nucas.

O que chamamos a(deuses).

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s